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AÉCIO NEVES


Aécio Neves afirma que oposição ao governo federal tentará derrubar veto da Presidência que retira recursos da saúde

“O governo federal virou as costas para a saúde pública no Brasil”, diz Aécio Neves

As oposições trabalharão no Congresso para derrubar o veto da
presidente Dilma Rousseff a pontos importantes da Emenda 29, na
tentativa de garantir mais recursos federais para os serviços de saúde
na rede pública do país. A presidente da República vetou os trechos da
nova lei aprovada pelo Congresso, que estabeleciam aumento nos recursos
da saúde sempre que houvesse crescimento do PIB. A Emenda 29 permaneceu
paralisada por 11 anos e foi aprovada em dezembro passado fixando
investimentos obrigatórios em saúde apenas para os estados e municípios,
e não para o governo federal.

“Se houvesse uma avaliação para cima do PIB, aumentariam os recursos
para a Saúde. Mas nem isso o governo quis fazer. Um gravíssimo equívoco.
O ano começou muito mal do ponto de vista do governo, em relação ao
veto da presidente Dilma. Depois de um rolo compressor do governo ter
impedido que a União contribuísse com pelo menos 10% da sua receita,
enquanto os estados contribuem com 12% e os municípios com 15%. Depois
de ter virado as costas para uma discussão no Congresso para a questão
da saúde, ela veta aquilo que é o mínimo que foi o fruto do nosso
entendimento”, afirmou, em entrevista, Aécio Neves.

O senador destacou que as bancadas do PSDB e do DEM atuarão
conjuntamente na reabertura das atividades legislativas para tentar
manter a emenda aprovada pelo Congresso, mas vetada pela presidente,
garantindo os recursos federais da saúde. As duas bancadas trabalharam
juntas para fixar o piso mínimo obrigatório de 10% do Orçamento federal,
mas foram derrotadas pela base de apoio ao governo, que tem ampla
maioria na Câmara dos Deputados e no Senado.

“Faremos o esforço possível, sabendo das nossas limitações do ponto
de vista quantitativo. As oposições somadas hoje não chegam a 20% da
composição do Congresso Nacional, mas vamos, do ponto de vista político,
fazer esse embate”, disse o senador.
Menos recursos federais na saúde
Com o veto da presidente também à nova emenda, o governo federal
poderá manter o baixo volume de recursos que hoje destina à saúde
pública. Os valores repassados correspondem a cerca de 6% do Orçamento.
Já os estados deverão investir 12% de suas receitas líquidas e os
municípios 15%.
“Para se ter uma ideia, há dez anos o governo participava com 58%,
quase 60% do total dos recursos investidos em saúde. Hoje, não participa
com 45%. Falo muito da agenda perdida e essa, em relação à saúde,
infelizmente, foi mais uma agenda perdida pelo governo, porque essa
discussão não voltará a curto prazo. O governo federal virou as costas
para a saúde. O governo coloca nas costas dos estados e municípios a
absoluta responsabilidade em relação da questão da saúde pública”,
afirmou Aécio.

 Entenda o que ocorreu na votação da Regulamentação da Emenda 29 da Saúde:

- As bancadas do PSDB e DEM, que fazem oposição ao governo federal,
trabalharam para fixar um valor mínimo obrigatório de investimentos
federais na saúde pública, correspondente a 10% do Orçamento da União.

- Senadores do PT e aliados derrubaram a proposta, inicialmente apresentada pelo senador Tião Viana, do próprio PT.


- Congresso aprovou emenda garantindo mais recursos federais para a
saúde sempre que houvesse avaliação positiva do PIB (soma de toda
riqueza produzida no país).

- A presidente Dilma Rousseff vetou esse trecho da lei. Assim, o
governo federal não terá que aumentar seus investimentos na saúde, mesmo
com aumento da arrecadação. Já os estados e municípios tiveram fixados
os investimentos obrigatórios em saúde de 12% e 15% de suas receitas,
respectivamente.

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