EDUARDO COSTA
Eduardo Costa ? o ?nico nome do meio sertanejo que conseguiu destaque nos ?ltimos anos carregando uma bagagem imensa dos anos 1990.
Seu estilo ? extremamente popular, conquistou grande parte dos f?s do sertanejo rom?ntico de vinte anos atr?s, e apoiado nesse p?blico se tornou o primeiro cantor solo a cair nas gra?as da massa dentro da m?sica sertaneja.
Seu sucesso foi a maior prova do poder da pirataria. Seus primeiros discos foram vendidos no Brasil inteiro em barracas de camel?, enquanto as grandes lojas do ramo e as televis?es n?o faziam ideia de quem era ele.
Hist?rias n?o faltam. Desde morar na casa da fam?lia de C?sar Menotti e Fabiano, antes da dupla ser sucesso, at? os parentes que organizaram uma viagem para o seu enterro, ap?s acreditarem em um dos tantos boatos que acompanham sua carreira.
A partir de agora, um pouco da hist?ria do cantor Edson Vander da Costa, de 30 anos de idade, nascido em Belo Horizonte, criado em Abre Campo-MG, mas conhecido por todos como Eduardo Costa.
SOL
-Como foi a hist?ria do camel? que te ajudou a fazer sucesso?
EDUARDO
-Cara, eu gravei umas m?sicas demo, s? voz e viol?o mesmo, sem produ??o nenhuma, n?o tinha inten??o que isso rolasse. Mas como voc? d? pra um, esse amigo repassa pra outro, a coisa acaba rodando. Chegou um dia, um amigo me disse: "Eduardo, diz que o CD que voc? gravou est? vendendo bem em Goi?nia, mas com o nome de Zez? di Camargo ac?stico.
Eu fui at? Goi?nia, encontrei com esse rapaz (o camel?) e ele me disse que ia por o meu nome no disco, mas se parasse de vender, ia voltar a vender como se fosse do Zez?. Nessa ida, eu acabei conseguindo uns shows, e a coisa come?ou a andar por l? justamente por causa desse disco.
E como se deu o salto desse disco amador para o primeiro disco oficial, produzido pelo Pin?chio (em 2002)?
Olha s? a hist?ria. Um cara aqui em Belo Horizonte que me conhecia resolveu me ajudar a gravar meu primeiro CD, investir no CD. E foi com esse dinheiro que eu fui at? o Pin?chio e gravei o meu primeiro disco, ?Ilus?o?, que mudou minha carreira.
Nesse disco tinha "Cora??o aberto", que mostrou o Eduardo Costa pro Brasil. Eu consegui fazer um nome em Goi?s, Mato Grosso e em Minas Gerais antes, com o CD que n?o era pra ser CD, mas as coisas mudaram quando eu lancei o de 2002 mesmo. A? em 2003 eu j? lancei o ?Rasgando a Madrugada" e a coisa foi embora.
___
SOL
No ano seguinte, Eduardo resolveu apostar em um projeto ac?stico, chamado "No boteco", que trazia apenas regrava??es dos anos 1990. O acerto foi tamanho que em 2006, o "No boteco 2" apareceu na revista "?poca" como um dos 15 discos mais vendidos do pa?s, quando pertencia a pequena gravadora Caravelas.
O m?rito foi das r?dios. At? essa ?poca, ele nunca havia aparecido em um programa de TV de n?vel nacional.
Em novembro desse mesmo ano, ele gravou o primeiro DVD, que mostrou sua imagem, que poucos conheciam, e que estourou com a m?sica "Me apaixonei".
___
SOL-
Na ?poca em que voc? come?ou a despontar, a onda do sertanejo "universit?rio" ainda n?o tinha surgido, mas pouco tempo depois acabou dominando o mercado. Como foi pra se encaixar no meio de toda aquela mudan?a?
EDUARDO-
Na verdade eu sempre fiz o que eu gostava. Tem gente que me chama de "sertanejo universit?rio" s? porque eu fa?o sucesso hoje. O meu neg?cio sempre foi falar de amor, seja sofrer por amor ou fazer declara??o.
SOL
Mas voc? ? o ?nico que conseguiu se destacar sem fazer o que chamam de "novo" sertanejo, n?o ??
EDUARDO
Sim, mas isso n?o foi pensado. Eu acabei pegando o p?blico que todo mundo esqueceu.
Meu p?blico ? bem diversificado, de todas as classes sociais, de todas as idades. ? o p?blico que gosta do que eu gosto. Eu fa?o m?sica pra dona de casa, pra desempregado, pra pingu?o, modelo, milion?rio, universit?rio, analfabeto, biscate. ? pra todo mundo que gosta mesmo de m?sica. Eu quero ? ter esse p?blico pra sempre.
Quem fez do Roberto Carlos o que ele ? hoje? Quem elegeu o Lula? Foi o povo. N?o t? me importando se me chamam de novo, velho ou ultrapassado. Olha a? minha agenda e v? nas r?dios do Brasil quais artistas est?o entre os mais pedidos.

___
SOL
A frase que melhor explica o sucesso dele ? "eu peguei o p?blico que todo mundo esqueceu". Quem gostava do sertanejo dos anos 1990 ficou sem artistas novos para seguir, j? que o "novo" sertanejo n?o consegue atingir grande parte desse p?blico. Ele tem diversos tipos de f?s, sim, mas seu trunfo maior ?, sem d?vida, ter conquistado quem n?o se identifica com essa nova cena.
Ele sabe ser popular. Atende toda a fila do camarim, acena para todo mundo, e grava vinhetas para qualquer r?dio que pedir, independentemente do tamanho dela. N?o ? toa, ? uma das figuras mais bem quistas entre os radialistas.
Eduardo brinca muito com a imagem do "cachaceiro", do "bebedor de pinga", termos que ele gosta de usar em suas brincadeiras com os f?s, sua faceta mais conhecida.
O que n?o ? do conhecimento de muitos ? seu lado s?rio. N?o bebe antes ou depois de shows e gosta de controlar de perto o trabalho de toda sua equipe. De v?cio, apenas caf?. Tr?s garrafas por dia.
___
SOL
Por muito tempo, voc? foi apontado como um imitador do Zez? di Camargo. O quanto isso atrapalhou sua carreira e te incomodou?
EDUARDO
Pensa que eu j? cantava sozinho e tinha um estilo que muita gente chamava de ultrapassado. Ai vem gente pra cima de mim com a hist?ria de ser c?pia? P?, ? brincadeira, n??. Eu sempre cantei m?sicas do Zez?, como eu cantei do Leandro e Leonardo, do Chrystian e Ralf, Rick e Renner, Chit?ozinho e Xoror?. Eu fui adolescente durante essa gera??o deles, ent?o ? claro que eu ia acabar cantando o que eu gostava de ouvir.
Isso diminuiu mesmo quando minhas m?sicas come?aram a ficar conhecidas e o pessoal foi vendo que eu tinha meu estilo, que eu era o Eduardo Costa. Eu sinceramente n?o reclamo de nada, tanto que t? te falando isso porque voc? perguntou.
Se eu quisesse imitar o Zez?, teria montado uma dupla. Eu sou o primeiro artista da musica sertaneja a conseguir fazer sucesso cantando sozinho. O S?rgio Reis veio do Rock dos anos 60, Leonardo e Daniel de uma fatalidade, Marcelo Aguiar fez sucesso durante dois anos e depois foi cantar m?sicas evang?licas. Eu fui influenciado por v?rias duplas na minha adolesc?ncia, mas sinceramente se eu tivesse que imitar algu?m, imitaria o Leonardo, sou f? desse cara.
Acho que pra gente ser sucesso, pro cara conseguir seu espa?o, ele precisa ter vivido muito, essas dificuldades fazem parte, ter que aguentar certas coisas faz parte. E eu posso te dizer que eu passei por tudo que voc? possa imaginar. Victor e Leo n?o t?o estourados? Pois ?, passaram vinte anos tocando em bar. Sucesso n?o ? de um dia pro outro n?o, e s? se mantem nele quem consegue olhar pra tr?s e assistir todo aquele filme na mem?ria.
SOL
Mas em alguns momentos voc? parou de cantar, n?o ??
EDUARDO
Parar, n?o, mas eu virei m?sico de banda. Precisava me sustentar, era moleque e eu tinha que arrumar um jeito de ganhar dinheiro. Fui m?sico do Barrerito com 13, 14 anos, depois que ele j? tinha sa?do do Trio Parada Dura. Foi a maior escola pra mim, tive a felicidade de trabalhar com o maior int?rprete da hist?ria da m?sica sertaneja, que na minha opini?o, foi ele. Toquei tamb?m com o Gino e Geno, toquei nos forr?s que o Mangabinha tem at? hoje aqui em Belo Horizonte.
Eu nunca sa? da m?sica, sempre soube o que queria pra minha vida. Se n?o tivesse feito sucesso, taria at? hoje tocando em boteco e em bail?o. O que muita gente n?o sabe ? que eu morei na casa do C?sar Menotti e Fabiano, na ?poca de vacas magras. Ningu?m era sucesso ainda, a gente s? ralava tocando nos bares em Belo Horizonte. Considero como meus irm?os.
SOL
Existe uma s?rie de boatos sobre voc?. O mais conhecido ? o de que voc? tem AIDS, e por mais que voc? desminta, tem gente que continua desconfiando...
EDUARDO
Esse j? virou lenda, sempre vai ter algu?m perguntando. Mas pra esse boato tem explica??o. Tem um rapaz que trabalha num laborat?rio e que tem o mesmo nome que eu e que deu algumas entrevistas pra jornais (diretor da Fiocruz/Farmanguinhos, Eduardo Costa). A? algum maldoso leu "Eduardo Costa" e "AIDS" na mesma not?cia e come?ou a veicular isso por a? e o boato nunca mais parou.
Falaram v?rias vezes que eu morri tamb?m, chegou a dar em r?dio. J? teve familiar que organizou viagem pra vir pro meu enterro por acreditar em boato. Essas coisas n?o tem como controlar, no fim eu acabo achando engra?ado.
___SOL
Voc? tem uma condi??o de vida acima dos padr?es e sua agenda n?o tem mais datas at? o fim do ano. A sua carreira ? o que voc? sonhava?
EDUARDO
Gra?as a Deus hoje a minha carreira ? uma carreira consagrada. Todos os discos que gravei foram sucessos. O disco novo, ?Tem Tudo a Ver?, ? uns dos discos mais vendidos da musica Brasileira, a can??o "Amores Imortais" ? primeiro lugar no Brasil (segundo a Crowley), foi a m?sica brasileira mais tocada nas ?ltimas quatro semanas). Devo todo este sucesso aos radialistas e ao povo que abra?ou a minha carreira e me colocou no lugar onde estou. Mas eu n?o paro por aqui, se Deus quiser voc?s v?o ouvir falar de mim por mais uns 130 anos.
___
SOL
Eduardo, que recentemente rescindiu o contrato com a Universal Music (e em breve j? deve anunciar nova parceria), planeja um DVD para os pr?ximos meses. Afeito a projetos ""extras, como foi o caso do "No boteco", mais trabalhos nesse estilos devem surgir em breve.